Um Estranho em Minha Casa

Atualizado: 20 de Ago de 2020

A qualquer momento agora, ele irá me encontrar, já ouvi o homem andar pela casa toda, então, podem ser estes, os últimos momentos de minha vida. Talvez seja minha despedida, por isso mesmo, conto o que houve, até chegarmos aqui...


Troco mensagens com Michael, há dois anos. Trabalhamos juntos algumas vezes - online - portanto não nos conhecemos, pessoalmente, antes disso: Ele pede meu endereço - diz que vai me mandar um presente - e até então nossa relação é apenas de amizade. Ouço minha campainha, abro a porta, e por trás de um ramo de flores, está Michael. Mal posso acreditar! Me debruço em seu pescoço e finalmente posso ver aqueles olhos. O cheiro do seu perfume é delicioso - sempre soube que Michael era cheiroso - lhe digo o seguinte -- Não gostaria de soltá-lo, mas preciso fazer isso, já que você tem que entrar -- Sorrindo, ele me responde -- Não precisa me soltar -- E além de dar um jeito de entrar, me carrega e fecha a porta.


Percebo estar cheia de tesão - isso não é tão comum - Nossa, mal encosto em Michael, e sinto minha pele ouriçada... Aos poucos, conforme solto de seu abraço, nossas bocas chegam a se tocar, de leve, de lado, mas antes que aconteça, ele me diz -- Annie, será que se fizermos isso, ainda terei sua amizade? -- E então, finalmente o beijo. Pra dizer a verdade, não pudemos parar por aí. No sofá, arrancamos nossas camisetas, e ao encostar nossos peitos, nus, sinto as pernas estremesserem e meu tesão molhar. Ao fim da nossa primeira vez, sei que não quero somente sua amizade.


Antes que eu continue, esse meu relato, quero dizer que os passos parecem mais próximos e não tenho certeza se serei capaz de terminá-lo, por isso é melhor que eu avance.


E assim, ficamos juntos por estes meses todos, e decidimos morar em um lugar mais distante da cidade (literalmente no meio do nada). A princípio não entendo, por que é que Michael acha que estaremos melhor tão longe? Mas tudo com ele é tão incrível, que acabo topando. Somos doidos e incríveis, juntos. Aproveitamos todos os dias como se fosse o último - e hoje pode ser.


Finalmente chega a manhã de hoje. Recebo flores - no cartão está escrito: sempre seu - agradeço ao Michael, que me diz não ter enviado nada e fica muito bravo - ele nunca fez nada tão estúpido - brigamos. Me tranco em nosso quarto, e não faço a menor ideia de onde esteja meu celular. Ouço barulho de porta - parece que Michael sai - e eu durmo.


Novamente, o barulho da porta da frente. Isso me faz acordar. Logo em seguida, um barulho da porta do meu quarto, alguém ou alguma coisa, está forçando a abertura dela -- Michael, é você? -- Pergunto, mas ninguém é capaz de me responder. Apreensiva, penso em sair pela janela, mas aquela porcaria está emperrada. Ouço o barulho da chave, será que ele tem como abrir minha porta? Então, pego a guitarra de Michael, e fico a postos, aguardando que o desconhecido entre. Quando finalmente, a porta é aberta, olho rápido, e o elemento encapuzado, me olha de volta, assustado. Trata-se de Michael, que por pouco não acerto -- Tem alguém na casa, Mike... -- Ele me olha, um pouco perdido e responde -- Eu não vi ninguém, você está bem? -- Antes que eu responda, Michael, urra de dor. Um outro homem, enfia uma das facas da cozinha, em suas costas. Não penso, o acerto em cheio com a guitarra, ele cai e eu agarro Michael, para juntos, irmos a um local seguro. Tento abrir a porta da frente e ela está trancada. Pensando bem, seria melhor nos enfiarmos no porão e trancá-lo - essa casa é no meio do nada!


Agora posso lhes dizer, trancados no porão por mais de 30 minutos, e Mike não me responde mais. Não tenho coragem de tirar seu pulso, estou sentada sem pôr os olhos, em outro lugar, que não seja a porta. Como disse, anteriormente, talvez sejam estes meus últimos momentos.


Então um estrondo, que finalmente me alerta - parece que o estranho encontrou nosso machado de cortar lenha - e meu Deus, não acredito, ele abriu a porta. Finalmente, tenho a oportunidade de olhá-lo, o tal estranho E não acreditei quando vejo o que está diante de mim... Acontece que ele é...


--Michael? -- Deixo a faca cair no chão, sem entender -- Annie -- ele diz -- Vamos sair daqui, rápido! -- ele dá um passo à frente e eu me afasto -- Annie, este é meu irmão, Daniel... A vida inteira ele fez isto, a vida inteira tentou me destruir... Vamos embora!!


Eu fico parada, ainda sem entender. Antes que eu diga qualquer coisa, porém, ouço o som do tiro. O homem que estava parado em minha frente, possivelmente Michael, é atingido, pelo Michael que estava no chão. Eu tremo, com o sangue em meu rosto. Então, este homem segura em minha mão e diz -- Annie, ei, tudo bem... Eu sou o Michael... Aquele que está morto é Daniel. Eu devia ter contato sobre ele, antes.


E é assim, que termina este fatídico dia.


O tempo passa, e até hoje, procuro por sinais que me digam que este homem, que vive comigo, seja o Daniel. E em alguns dias percebo coisas que não estavam lá antes. Dia desses, enquanto sinto seu corpo sobre o meu, toco suas costas e percebo uma cicatriz, que parece nunca ter estado lá. Antes que eu ficasse preocupada - porém - sinto o momento do nosso êxtase se aproximar, sensação essa, que somente Mike sabe causar em mim... Ou seria Daniel, que sempre causou isso? Nunca saberei dizer. Prefiro amá-lo e seguir como sempre seguimos, e esconder de mim mesma, esta minha grande confusão...

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